Anotações do 2 a 0 contra o Cruzeiro

Algumas anotações sobre a vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro:

  • Tarde de céu azul, muito sol… e jogo às 16 horas (curta a foto no Instagram!). Mesmo com o prenúncio de uma recepção com muito calor no Morumbi, a quantidade de ingressos vendidos sugeria que a melhor alternativa para evitar confusões era chegar o mais cedo possível ao templo brutalista do futebol brasileiro. Como consegui carona, cheguei ainda mais cedo do que o planejado. Na esquina da Avenida Jules Rimet, ainda passei por algumas meninas distribuindo santinhos do Aécio.
  • As bilheterias pareciam vazias, mas era só no guichês, pois a fila chegava à Praça Roberto Gomes Pedrosa. Enquanto isso, displays eletrônicos anunciavam “Arquibancadas esgotadas” e cambistas agiam sem nenhum pudor, cobrando até 150 reais por um ingresso de arquibancada. Felizmente, eu já tinha garantido meu ingresso na terça-feira, quando abriram as vendas para sócios-torcedores.
  • Às 14h10, adentrei a meca são-paulina:

  • Não encarei o sol logo de cara. A sombra do corredor de acesso era muito mais convidativa, mesmo sem nenhum banco. Aos poucos, os amigos foram chegando, assim como outras milhares de pessoas.
  • Os times entraram em campo juntos, pelo acesso central. Não me lembro de já ter visto isso antes no Morumbi. No segundo tempo, entretanto, cada time entrou pelo seu respectivo túnel.
  • No começo do jogo, o árbitro Leandro Vuaden marcou uma falta para o São Paulo no ataque, sem muito perigo. Ele delimitou a posição da barreira com o spray, porém a marcação foi descaradamente ignorada pelos jogadores do Cruzeiro, que ficaram a quase um metro dela. Nenhum jogador são-paulino reclamou.
  • Rogério abriu o placar com um gol de pênalti (sofrido por Ganso), seu primeiro tento no Morumbi desde 17 de abril de 2013. Nesse meio-tempo, ele perdeu duas cobranças, contra Criciúma e sccp. Fora do Morumbi, contudo, ele marcou oito vezes nesse período, sendo sete de pênalti e um de falta. Com o gol de ontem, o goleiro adversário Fábio consolidou-se como o que mais sofreu gols de Rogério. Agora são sete.
  • Logo após o gol, ouvi-se o cântico maldito (aquele que menciona o suposto retorno do primeiro colocado ao fim de uma competição) na arquibancada azul. Ainda fraco, ele foi rapidamente abafado e, consequentemente, calado, mas não por muito tempo. Cerca de um minuto depois, ele voltou com mais força e, a despeito dos protestos de parte da torcida, seguiu sendo entoado.
  • O primeiro tempo foi até exatos 48min06. Muito estranho, se levarmos em consideração que não houve substituições ou paralisações anormais.
  • No início do segundo tempo, Álvaro Pereira e Denílson trombaram em um lance. Foi a terceira vez que isso aconteceu neste Campeonato Brasileiro.
  • Édson Silva foi um monstro o jogo inteiro. Sólido na zaga, conseguiu até afastar uma bola que estava a poucos centímetros do chão — de cabeça! Deu até um chute perigoso de fora da área, que Fábio teve trabalho para defender. Foi uma atuação que fez a promessa do zagueiro ao chegar ao São Paulo parecer algo plenamente factível. Muitos, inclusive, deixaram o Morumbi perguntando se era o Édson ou era o Pelé.
  • Como de hábito, o pôr-do-sol deu um show no Morumbi. E também um alívio para quem estava na linha direta do sol desde antes de o jogo começar até mais ou menos a metade do segundo tempo.

  • Antes do segundo gol, a zaga cruzeirense tinha afastado todas as bolas que o São Paulo levantara na área. Em um escanteio, aos 25 minutos, até foi um jogador de azul que tocou primeiro na bola, mas ela seguiu na direção de Alan Kardec. Fábio fez uma defesa milagrosa na cabeçada à queima-roupa do atacante, porém o rebote sobrou para o mesmo são-paulino, que estufou a rede antes mesmo de o goleiro parar de cair. 2 a 0. Festa nas arquibancadas.
  • O gol, claro, foi a senha para o cântico maldito ser novamente entoado no Morumbi. Desta vez, passamos incólumes, mas cabe lembrar que a sina é cumulativa, ainda mais se levarmos em consideração a nova ocorrência de gritos prematuros de olé.
  • O último ataque perigoso do Cruzeiro fez alguns marcapassos ser acionados. Souza tentou afastar o perigo, mas a bola caiu no pé de um adversário, que chutou forte. No instante em que a bola passou pelos dois defensores são-paulinos à sua frente, todo mundo que tinha um ângulo de visão parecido com o meu imaginou que a bola entraria no ângulo. Para nós, o tempo entre a bola cruzar a linha de fundo e depois a linha do fundo da rede pôde ser medido em horas. O alívio quando ela passou do fundo da rede e não voltou teria estourado qualquer eventual medidor de alívio que um dia venha a ser inventado.
  • Curiosamente, o segundo tempo também terminou aos 48min06, mesmo com as quatro substituições e a paralisação para atender Denílson.

  • Em jogo com quase seis dezenas de milhares de pessoas não é tão fácil deixar o Morumbi. Mesmo após vários minutos de espera na arquibancada, até para fazer a “foto oficial”, a saída pelo portão 6 ainda estava como na foto acima, e as ruas de acesso ao estádio ainda ficariam congestionadas por mais de uma hora e meia.
  • A camisa mais bizarra que encontrei no dia foi uma com o nome de Matheus Caramelo aquele lateral-direito que o São Paulo contratou do Mogi-Mirim no ano passado e quase não jogou. Mas esta foi avistada ainda longe do estádio, e não tive tempo de fotografá-la. Assim, que ganha o “privilégio” de aparecer aqui é Rivaldo, cuja camisa estava na arquibancada azul.

A crise do petróleo e o São Paulo

A terceira fase da crise do petróleo teve início em 1979, após uma turbulência política no Irã, que culminou com a deposição do Xá Reza Pahlevi. A produção de petróleo no país entrou em convulsão, os preços foram aumentados em mais de mil por cento. Essa disrupção teve consequências no mundo todo, incluindo no Brasil. Por aqui, chegou a faltar gasolina nos postos, que tiveram estabelecida, em julho, uma cota de abastecimento, conforme detalhado na manchete do Jornal da Tarde de 12 de julho: “Os postos receberão uma cota mensal de combustível. Se ela se esgotar antes do fim do mês, não haverá renovação.”

Quando o problema de abastecimento diminuiu, outro problema surgiu, o grande aumento dos preços dos combustíveis, que era agravado por uma inflação galopante. Essa situação não era constatada apenas nas bombas dos postos, mas também nas tarifas de ônibus, que seguiam aumentando (curta a minha página Histórias Paulistanas no Facebook).

E o que tudo isso tem a ver com o São Paulo?

Muito pouco. Mas, como se pode ver no anúncio abaixo, o São Paulo aproveitou a situação para criar um argumento de venda de novos títulos do clube social, em 1980, sob o mote “Gasolina cara: não saia de São Paulo, entre no São Paulo”.

Temos à sua espera um título social do conjunto social esportivo do São Paulo F.C., um bem permanente para você e sua família. Compre hoje seu título social e tenha sempre à disposição o mais completo parque aquático da América Latina e todas as instalações sociais e esportivas de um clube completo em pleno Morumbi. Com campos de futebol, quadras de basquete, futebol de salão, vôlei, tênis, mini golfe, hóquei sobre patins e locais para ginástica, ioga e balé. Não perca tempo. É uma cota reduzida de títulos sociais disponíveis, e você já sabe: com o preço [da] gasolina, o negócio não é sair de São Paulo — é entrar no São Paulo.

Justamente devido à inflação que assolou o Brasil nos catorze anos seguintes, é difícil calcular se o preço de 53 mil cruzeiros era próximo ou não dos valores atuais, recentemente aumentados de dez mil para quarenta mil reais.

Anúncio publicado n’O Estado de S. Paulo de 14 de maio de 1980.

22 gols sofridos

Dê uma rápida olhada na imagem acima. Ela representa a classificação do São Paulo na noite de 11 de setembro de 2013 (exatamente um ano atrás), ao final da 20.ª rodada do Campeonato Brasileiro, conforme publicada pelo Lance! no dia seguinte. O São Paulo tinha acabado de derrotar a Ponte Preta, no Morumbi, por 1 a 0, mas seguia na zona do rebaixamento, a dois pontos do 16.º colocado. O cenário era terrível.

Agora veja esta outra imagem.

Ela traz a classificação do Brasileiro hoje, conforme publicada pelo Lance!, após a rodada de ontem, em que o São Paulo venceu o Botafogo, em Brasília, por 4 a 2. A diferença é abissal, como se pode ver. Penúltimo colocado nesta altura do ano passado, o São Paulo hoje é o vice-líder, aguardando a partida de hoje entre Cruzeiro e Bahia para saber qual é a real diferença para os mineiros.

Porém, um número chama a atenção, por ser o único igual ao equivalente do ano passado (além, claro, da quantidade de jogos disputados): o número de gols contra.

A defesa tem sido criticada neste ano (estou incluído entre os críticos), assim como já vinha sendo criticada no ano passado. Em 2013, o ataque andava com problemas, o que ajuda a explicar a impressionante queda no início do campeonato. Quando o ataque ficou ao menos mediano, o time subiu de produção. Mesmo tendo tirado o pé do acelerador após salvar-se da ameaça de rebaixamento — uma vitória, um empate e quatro derrotas nos últimos cinco jogos —, o São Paulo teve a sexta melhor defesa do torneio e a quinta melhor do segundo turno.

E não foi só isso. Em determinado momento antes da já mencionada queda de rendimento, o São Paulo chegou a ter a quinta melhor defesa em suas últimas vinte campanhas no Brasileiro. Em um texto publicado em outubro, fiz uma breve análise da situação, com os números ao longo da história.

Se inserirmos a temporada atual no quadro, ele pouco mudará. A versão 2014 da nossa defesa estaria em 26.º lugar no geral e em oitavo lugar nos últimos vinte anos, em ambos os casos imediatamente atrás da versão 2013, que terminou a campanha com uma média de 1,052 gol sofrido por jogo. Após o jogo de ontem, a média atual inflou para 1,1, sendo que era idêntica à do ano passado, antes do jogo.

Esperemos que a defesa melhore nos próximos jogos, para que o São Paulo possa brigar de verdade pelo título. E que o ataque continue produzindo, pois é o segundo mais prolífico (35), atrás justamente do cruzeirense (41, com um jogo a menos).

Anotações do 2 a 0 contra o Sport

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Algumas anotações sobre a vitória por 2 a 0 sobre o Sport:

  • O asteroide 2014 RC não poderia ter escolhido uma data melhor para passar pela Terra: o aniversário da chegada de Rogério Ceni ao São Paulo, em 7 de setembro de 1990. E com jogo no Morumbi, contra o Sport. A coincidência entre o nome do asteroide e as iniciais do maior goleiro da história do São Paulo foi, obviamente, transformada em hashtag, que foi exibida até no placar eletrônico antes da partida.

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  • Depois que passou a mostrar de vez o escore do jogo, o placar eletrônico não demorou para mudar de 0 a 0 para 1 a 0. Chutar a gol não foi exatamente a intenção de Alan Kardec, mas demos a sorte que não estávamos dando no ano passado, e a bola foi desviada para dentro do gol pelo volante Rithely.
  • O gol deveria ter sido dado a Kardec, mas o árbitro colocou na súmula que o gol foi contra.
  • Quem não comemorou o gol foi um de nossos amigos, que chegou pouco depois à arquibancada azul. Só que ele não sabia que tinha perdido um gol e comentou que tinha ouvido um barulho do lado de fora, que parecia gol. “Ué, mas foi gol!”, respondemos. E foi então que ele se tocou que o placar eletrônico apontava 1 a 0.

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  • O segundo gol foi daqueles que seriam contados em prosa e verso se o time acertasse esse tipo de jogada mais vezes. De certa forma, lembrou outro segundo gol de outro 2 a 0, aquele contra o Bahia, em Salvador, o primeiro jogo após a Copa do Mundo. Sim, aquela partida que fez muita gente começar a achar (por uns dois ou três dias) que o São Paulo versão segundo semestre de 2014 era a nova encarnação da Alemanha. Não é, como já ficou provado — precisava? —, mas o time tem alguma consistência, o que, no Campeonato Brasileiro, já serve para lutar na parte de cima.
  • Ah, sim, o gol. Foi daquelas trocas de passe que parecem até combinadas com o adversário de tão perfeitas. Obviamente, a finalização do Pato só foi possível porque ele recebeu do canal oficial do São Paulo no YouTube um vídeo de parabéns por seu aniversário na semana passada, que continha algumas cenas com a homenagem do meu filho. Ok, talvez isso não tenha sido tão decisivo, mas meu filho, do alto de seus quase seis anos de idade e presente ao estádio ontem (curta a foto dele no Instagram!), certamente achou que teve algo a ver com o gol, e não sou eu que vou negar.

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  • Felizmente para Pato, ele tinha marcado esse gol, porque, depois disso, perdeu quatro chances até o fim do jogo. A primeira delas foi um lance bizarro, em que ele teve o gol ao seu dispor, sem goleiro, e chutou para fora, supostamente por culpa de buracos no gramado. Foi tão bizarro que eu nem vi o que aconteceu, pois já tinha desviado meu olhar para as redes, aguardando o momento em que elas seriam estufadas, obrigando o placar eletrônico a mudar para 3 a 0. Estou aguardando até agora.
  • As outras três chances que ele perdeu não foram tão dramáticas, mas teria sido o suficiente para ele virar o centro das atenções, enquanto a mídia faria comparativos com Deivid e afins. Como ele já tinha marcado um gol, acho que o impacto não será o mesmo. Talvez ele tenha sido zoado no jornalismo engraçadinho do Fantástico — não assisti —, mas acabou até eleito para a seleção da semana do Estadão.
  • Nosso amigo Gabriel Perecini estava claramente incomodado com os gols perdidos, como se pode notar na foto abaixo.

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  • Falando em comparações, Ganso sempre é comparado com alguém. Até o começo deste ano, a moda era compará-lo a Jádson, já que ambos disputavam a mesma vaga entre os titulares do São Paulo. Jádson saiu e foi para o sccp, mas as comparações com Ganso não cessaram e, claro, a elas foi adicionada a comparação com Alexandre Pato, que veio em troca do nosso ex-camisa 10. Ontem, lembrei-me deste tuíte de Arnaldo Ribeiro: “Vamos lá. Quem joga mais? Mais útil? Jádson ou Ganso? Pra mim, não da pra comparar… Nunca deu…” Pode parecer ambíguo, já que ele não dá a resposta nesse tuíte, mas o imediatamente anterior (assim como outros) não deixa dúvidas: “Jádson, um dos melhores meias do Brasil, senão o melhor, faz um golaço e vira para o [sccp] — que baita reforço…”

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  • ok, é fácil falar sete meses depois, e seria até cruel mencionar isso agora, com Jádson esquentando o banco na Emirates Arena, especialmente se Arnaldo tivesse sido o único jornalista a ter emitido tal opinião. Mas não foi. Podem colocar os exemplos nos comentários.
  • Mudando de Pato e Ganso para trapo, um dos integrantes de uma “barra” são-paulina que tem frequentado a azul vinha colocando um “trapo” pendurado na divisa com a arquibancada amarela. Ele já tinha feito isso na quinta-feira, contra o Criciúma, mas, no meio do jogo, mudou-a para onde eles estavam. Ontem, antes que ele tivesse a oportunidade de fazê-lo, a Polícia Militar confiscou-a. Não consegui fotografar o momento exato, apenas alguns poucos segundos depois. Foi nessa altura que o nosso amigo Michel começou a gritar, avisando que o trapo estava sendo removido. Demorou um pouco, mas ele acabaria sendo recuperado.

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  • Com os preços absurdos de picolés cobrados no Morumbi, acabei comprando um, muito mais barato, de um vendedor não-autorizado. Havia duas opções: limão e abacaxi. Um sabor pior que o outro. E pensar que ainda no ano passado os picolés de frutas custavam quatro reais no Morumbi. Quem era sócio-torcedor chegou até a receber, em determinado jogo, um cupom de desconto, pagando apenas dois reais.
  • Encontrei mais uma camisa de jogador, digamos, alternativo na torcida. Depois das camisas de Marlos e Cañete, ontem foi a vez de encontrar uma de Adrián González, aquele lateral-direito argentino que ficou um ano no São Paulo e disputou apenas sete jogo. Ainda assim, menos tempo e mais jogos do que Clemente Rodríguez!

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  • Graças à derrota do Internacional para o Figueirense, em plena Porto Alegre, o São Paulo terminou o primeiro turno do Campeonato Brasileiro na vice-liderança, sete pontos atrás do líder Cruzeiro. Algumas considerações sobre o comparativo entre 2014 e 2013:
    • No ano passado, o Cruzeiro também terminou o primeiro turno na liderança, mas com quarenta pontos, três a menos do que ele tem hoje.
    • A vantagem para o segundo colocado aumentou na mesma proporção: de quatro pontos em 2013, passou para sete hoje. Ou seja, o Botafogo do ano passado tinha os mesmos 36 pontos que o São Paulo tem hoje.
    • Os times que terminariam o campeonato de 2013 no G4 ocupavam, ao fim do primeiro turno, exatamente as quatro primeiras posições, embora o segundo e o terceiro colocados tenham trocado de posições ao longo do segundo turno.
    • O 17.º colocado, primeiro time na zona de rebaixamento, tem hoje dezoito pontos (Criciúma), um a menos do que em 2013 (Portuguesa).
    • A maior diferença é do 16.º colocado, o primeiro time fora da degola, que tinha 22 pontos em 2013 (Atlético-MG, que tinha um jogo a menos) e tem dezoito hoje (sep).
    • Os times que seriam rebaixados (em campo) no fim do campeonato ocupavam as seguintes posições após a 19.ª rodada de 2013: 10.ª (Vasco), 14.ª (Fluminense), 19.ª (Ponte Preta) e 20.ª (Náutico).
    • O Coritiba terminou o primeiro turno de 2013 em uma aparentemente cômoda sétima posição, com 28 pontos. Mas a fraca campanha no returno teria derrubado o time para a segunda divisão (em campo), se não tivesse ganhado do São Paulo na última rodada. O Sport, que perdeu para o São Paulo ontem, ocupa hoje a oitava posição, com os mesmos 28 pontos.
    • E o São Paulo? Em 2013, terminou o turno em antepenúltimo lugar, com apenas dezoito pontos. Hoje está na vice-liderança, com o dobro de pontos.

Anotações do 2 a 0 contra o Criciúma

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Algumas anotações sobre a vitória por 2 a 0 sobre o Criciúma:

  • Não dá para considerar pouco mais de dez mil pessoas um bom público, mas é mais do que eu imaginava antes do jogo. O horário (20 horas) é complicado para muita gente que trabalha longe do Morumbi, mas, por outro lado, ajuda na hora da saída, pois, mesmo que você faça uma hora do lado de fora do estádio, aguardando baixar o movimento, ainda terá o metrô como opção para voltar para casa. Para ir, consegui uma carona até a Estação Butantã, de lá peguei o primeiro ônibus que passou pela Francisco Morato e depois andei o quilômetro e meio que me separava do templo brutalista do futebol paulista, ainda com tempo para parar numa loja de conveniência e enganar o estômago por preços menos extorsivos que os cobrados dentro do Morumbi.
  • Sim, porque lá dentro agora existe a opção do cachorro-quente, que nada mais é do que pão, salsicha e batata palha, por nada módicos oito reais. O Patury aventurou-se a comer não só um, como dois deles. A foto abaixo dá uma ideia de como o preço de oito reais é caro para o que é oferecido.

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  • Os primeiros vinte e poucos minutos de jogo não foram grande coisa. Parecia mais que era o Criciúma que precisava do resultado, mas era o São Paulo, na verdade, quem tinha de fazer ao menos um gol para se classificar. Os ataques de ambos os times eram natimortos, com a diferença de que os deles demoravam um pouco mais para ser neutralizados. O único chute foi dos visitantes, mas, apesar de Lucca ter o gol à disposição, com Rogério caído, chutou para fora.
  • Como nenhum dos dois times chutava na direção do gol, a abertura do placar veio em um lance onde novamente o nosso ataque não finalizou. Depois que Osvaldo cobrou o escanteio, a bola passou por cima de Édson Silva e desviou em um ou dois jogadores do Criciúma, morrendo dentro do gol. Pelo que vi depois, a arbitragem daria o gol para o zagueiro são-paulino, mesmo sem ele ter tocado na bola. Uma pena, pois o tuíte do Twitter oficial tricolor foi de uma sacada ótima! Ele continha esta imagem:

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  • Se para marcar o primeiro gol o São Paulo não precisou chutar, o segundo gol só veio após dois chutes, ambos de Kaká, o segundo sem querer, por causa da defesa do goleiro no primeiro chute. Mais um gol de sorte, mas não há como reclamar de ter sorte, especialmente para quem viveu a triste campanha do Brasileiro do ano passado.
  • E a sorte nesse lance não ficou limitada à maneira como a bola entrou: toda a jogada começou com um lançamento de Rafael Tolói. Alan Kardec e Kaká estavam impedidos nesse momento, mas Ganso não estava, e foi ele que recebeu a bola. Por que, então, sorte? Porque, no futebol brasileiro, a arbitragem acertar um lance como esse chega a ser surpreendente.
  • Para o segundo tempo, o São Paulo foi recebido com uma pequena chuva de papel vinda da arquibancada azul, que deixou o rastro mostrado na foto abaixo. Mas essa não foi a única chuva de papel que o Morumbi viu ontem. No meio da segunda etapa, voaram uns papéis que, acredito, estavam com alguém da comissão técnica visitante. E eles ocuparam a lateral direita do Criciúma de uma maneira mais eficiente que o Paulo Miranda costuma fazer na do São Paulo!

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  • Como o São paulo perdeu gols no segundo tempo! Poderia ter matado o jogo, se bem que a falta de combatividade criciumense no ataque não fez com que o jogo chegasse a ficar dramático.
  • O espaço reservado para a torcida catarinense estava praticamente vazio, o que é uma pena, pois eu me lembro da festa que presenciei no Heriberto Hülse no ano passado. Na última visita do time ao Morumbi, no mês passado, isso já tinha ocorrido, infelizmente.
  • Por falar nessa última visita dos aurinegros ao Morumbi, naquela partida tirei uma foto do pôr-do-sol, de que gostei muito. Curta-a no Instagram!
  • Ao deixar o Morumbi, a torcida organizada cantou, por minutos a fio, uma canção homofóbica, baseada no famoso “Decime qué se siente” argentino.
  • A vitória quebrou um jejum de dez anos sem vitória sobre o Criciúma, se bem que o número de jogos torna essa estatística menos impressionante: foram apenas quatro nesse meio-tempo.
  • Foi também a primeira vez em sete jogos no Morumbi que o São Paulo deixou de sofrer gols.
  • Já a classificação deu-nos a segunda vitória em mata-matas sobre o clube catarinense. A outra foi na Libertadores de 1992 (você já comprou meu livro que conta todos os detalhes dessa conquista?). O Criciúma derrotou-nos em um mata-mata, pelas quartas de final da Copa do Brasil de 1990.
Tudo o que vier à mente sobre o São Paulo.

Siga-me no Twitter: @jogosspfc

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