Manoel Raymundo Paes de Almeira (1921–2014)

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Foto: Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube

Morreu na noite de ontem Manoel Raymundo Paes de Almeida, frequentemente lembrado como "um dos maiores são-paulinos de toda a história". Nascido em 11 de novembro de 1921, ocupou diversos cargos no clube e foi também um dos fundadores do Grêmio São-Paulino, a primeira torcida uniformizada do Brasil.

Paes de Almeita também foi o principal responsável pela vinda do técnico húngaro Béla Guttmann ao Morumbi:

Foi Béla Guttmann, apresentado como gerente do Honvéd, quem mais chamou a atenção do diretor de Futebol do São Paulo, Manoel Raymundo Paes de Almeida, que procurou contratá-lo, mesmo sem este saber uma palavra de português. Por algum motivo, Paes de Almeida achava que a experiência daria certo. Talvez para dar uma resposta aos críticos, que vinham massacrando o trabalho do técnico Vicente Feola, apesar do vice-campeonato paulista, em 1956.

Ele ocupou os mais diversos cargos no clube, tendo sido diretor de Futebol, presidente interino (durante a licença de Laudo Natel, que estava ocupando o governo do estado entre junho de 1966 e janeiro de 1967, e até técnico (por quinze jogos, em 1958 e em 1961), entre diversas outras funções. Não por acaso, todo o complexo social e esportivo que o clube tem no Morumbi leva o seu nome: Complexo Social Manoel Raymundo Paes de Almeida.

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Anúncio publicado na Folha de S. Paulo, em 19 de abril de 1968

Paes de Almeida também foi um dos padrinhos de casamento do atual presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, em 1972. A cerimônia mereceu destaque na coluna social assinada por Tavares de Miranda na Folha de S. Paulo de 13 de julho daquele ano.

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Anotações do 2 a 1 contra o Bahia

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Foto: Alexandre Giesbrecht (Curta no Instagram!)

Algumas anotações sobre a vitória por 2 a 1 sobre o Bahia:

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Foto: Renato Dias

  • O público no Morumbi foi maior do que eu esperava. Ainda longe da média de trinta mil que chegamos a manter em determinados pontos do campeonato, mas 22 mil num sábado quente não chega a ser decepcionante, ainda mais se comparado aos quatro jogos anteriores em casa, cujo maior total foi de 16.571 pagantes.
  • Se comparar com o jogo contra eles no Morumbi, em julho do ano passado, aí é até covardia. Veja como estava o Morumbi naquela fria noite de quarta-feira. Foi o menor público em casa no ano passado.
  • O São Paulo segue sem vender as arquibancadas vermelha e amarela, mas no sábado a azul e a laranja ficaram praticamente lotadas.

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Foto: Alexandre Giesbrecht

  • O pessoal que não está indo ao Morumbi já parou para pensar que faltam no mínimo cinco e no máximo sete jogos no Morumbi para a aposentadoria de Rogério Ceni?
  • Rogério Ceni não marcava um gol de falta no Morumbi desde fevereiro de 2011 e em qualquer lugar desde julho de 2013. Esse tabu foi quebrado no sábado, com direito a bola perfeita no ângulo, indefensável.
  • A amostragem é pequena, pois o Bahia passou quase uma década nas divisões inferiores, mas esta foi a primeira vez que vencemos os dois jogos contra eles no Brasileiro.
  • Mais importante: o confronto direto com os baianos, que estava empatado, agora pende a nosso favor. São dezesseis vitórias contra quinze derrotas, além de onze empates. Também desempatamos no número de gols marcados, que agora está em 58 a 57 para nós.

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Foto: Alexandre Giesbrecht

  • Havia empate no confronto histórico também em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro, mas agora são onze vitórias são-paulinas contra dez baianas, mais oito empates. São agora três vitórias seguidas nesse confronto pelo Brasileiro, o que quebrou uma sequência que durava duas décadas: entre 1993 e 2013, em partidas válidas pelo campeonato nacional, o São Paulo ganhou apenas três dos quinze jogos contra o Bahia, que venceu nada menos que oito vezes.
  • [Off-topic] O Nacional tinha perdido, na quarta-feira, a chance de garantir antecipadamente o acesso à Série A3 do ano que vem, ao empatar com o Primavera de Indaiatuba em casa e ver o Olímpia virar um jogo que perdia por 2 a 0 até os 25 minutos do segundo tempo, em plena Presidente Prudente. Esses resultados obrigaram os ferroviários a ao menos empatar em Olímpia, ontem pela manhã. O time saiu na frente, sofreu o empate e segurou o resultado até o fim, garantindo o fim de uma agonia de cinco anos na Segundona paulista (equivalente à quarta divisão).
  • A camisa obscura da noite foi este exemplar de Wallyson, avistado pelo Vinicius na arquibancada. Mais tarde, consegui registrá-lo no corredor de saída do Morumbi.

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Foto: Alexandre Giesbrecht

Os 38 anos de três são-paulinos

As diferenças de idade entre as gerações de torcedores podem contar pedaços da história de um clube. Resolvi, então, comparar o que meu bisavô, meu avô e meu pai, todos são-paulinos, “viveram” futebolisticamente quando completaram os 38 anos que eu tenho hoje. (Na foto, aparecem meu avô e meu pai, em julho de 1978. Como meu bisavô morreu três anos antes de meu pai nascer, não existem fotos dos três juntos.)

Meu bisavô Sud Mennucci fez 38 anos em 20 de janeiro de 1930, cinco dias antes de o São Paulo ser fundado. Torcedor do Paulistano, que tinha acabado de fechar seu departamento de futebol, ele acabaria por adotar o novo clube como seu time.

Meu avô Ernesto Giesbrecht fez 38 anos em 27 de março de 1959. Ainda se preparando para o Campeonato Paulista, o São Paulo tinha vencido um amistoso contra a Portuguesa por 1 a 0, no dia anterior. Ele ainda não sabia, mas o Tricolor estava no segundo ano de um jejum de títulos que duraria mais de doze anos.

Meu pai, Ralph Giesbrecht, fez 38 anos em 13 de novembro de 1989. O São Paulo estava num período de transição entre a geração dos “Menudos” e a que conquistaria o mundo por duas vezes. Dois dias antes, uma vitória por 3 a 0 sobre o Santos mantinha o time na luta por uma das duas vagas na final do Campeonato Brasileiro.

O que viverá meu filho em 2046?

Anotações do 1 a 0 contra o Atlético-PR

Foto: Alexandre Giesbrecht

Algumas anotações sobre a vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-PR:

  • Enquanto jogos às 22 horas exigem sacrifícios na saída, jogos às 19h30 exigem-nos na chegada. Para conseguir chegar a tempo ao Morumbi, tive de sair 45 minutos mais cedo do trabalho. Usando a mesma opção (o 6921-10) da última vez, levei cerca de quarenta minutos para chegar à esquina das avenidas Morumbi e Padre Lebret. Com a caminhada até o templo brutalista do futebol brasileiro, cheguei ao meu lugar na arquibancada azul a cerca de quinze minutos do início do jogo.
  • Assim, perdi a oportunidade de participar do sorteio para sócios-torcedores. Na semana passada, cheguei a tempo e participei, porém sem ganhar nada além do DVD que fora distribuído aos cem primeiros STs. Desta vez, nada.
  • A viagem de ônibus teve o imprevisto de um torcedor da sep, completamente bêbado, que discutia, aparentemente de brincadeira, com vários são-paulinos que estavam na parte de trás do coletivo (na foto abaixo, ele está de costas, bem no meio). Não dava para entender quase nada do que ele falava. Nos dois primeiros pontos, ele ameaçou descer, mas desistiu na última hora. No terceiro, ameaçou novamente e, quando estava para desistir pela terceira vez, um dos são-paulinos levantou e conduziu-o para fora. O ônibus andou alguns poucos metros e abriu novamente a porta traseira, para que uma vendedora ambulante entrasse. Imediatamente, o pessoal começou a gritar para o motorista fechá-la logo, para que o bêbado não conseguisse entrar. Não entrou, e a viagem prosseguiu sem outros sobressaltos.

  • O golaço aos cinco minutos de jogo significou a mesma coisa que outros gols que marcamos no primeiro tempo ao longo deste campeonato: que o São Paulo abdicaria de jogar. O problema é que faltavam 85 minutos, mais acréscimos, para o apito final. E nossa defesa, vocês sabem, não pode ser qualificada exatamente como “confiável”. Paulo Miranda e Antônio Carlos deram alguns sustos, Rogério Ceni teve de fazer uma grande defesa e um pequeno milagre, mas a invencibilidade de nossa meta atingiu outrora impensáveis 271 minutos. Paulo Miranda, inclusive, terminou a partida com uma incrível sequência de quatro lances em que ele foi (gulp!) bem.
  • Falando no pequeno milagre de Rogério, chega a ser incrível imaginar que ele está às vésperas de completar 42 anos. Seus erros são amplificados, mas as grandes atuações costumam ser solenemente ignoradas.
  • Osvaldo, que eu elogiei tanto aqui no primeiro semestre do ano passado, jogou muito mal. Foi fominha, correu sem rumo, perdeu bolas inexplicáveis. Aquele cara que parecia adorar jogar bola sumiu.
  • Não costumo me importar quando as pessoas preferem assistir ao jogo em pé. Nem poderia, já que eu, mesmo, tenho por hábito assistir às partidas assim. Meu problema é com quem o faz sobre as cadeiras do Morumbi. Não é só por correr o risco de estragar o patrimônio do clube ou pela falta de higiene de se pisar onde alguém vai sentar-se. É também porque, assim, ele ficava com a cabeça na minha frente quando a jogada estava no meio-de-campo.

  • Essa vitória, combinada com a derrota do Cruzeiro para o mal, diminuiu, pela enésima vez, nossa diferença em relação aos mineiros para sete pontos. Toda esperança que resta é muito mais emocional do que racional. Mas, como minha torcida é 90% emoção e 10% razão, eu ainda acredito!
  • Neste momento, aliás, é mais fácil acreditar no título do que na maior média de público do campeonato. Partida contra o Cruzeiro à parte, a torcida abandonou o time após o aumento dos preços de ingressos para o Morumbi. Ontem, não chegamos sequer aos dez mil pagantes. Tudo bem que o horário não ajudou, mas, quando ajudou (contra o Fluminense, por exemplo), o resultado não foi muito melhor.
  • Apesar da péssima qualidade da foto, a camisa obscura do dia foi este exemplar, de Fabrício, aquele volante que recentemente defendeu o São Paulo e deve ter tido mais contusões que jogos disputados do início ao fim.

  • O lado bom das partidas começando às 19h30 é que elas terminam antes das 21h30, então pudemos sair do Morumbi direto para a Pizzaria Comilão, no Bixiga: sua pizza é tão boa quanto a da quase vizinha Speranza, mas é mais barata e seu salão vive vazio, já que, hoje em dia, o forte deles são as entregas em domicílio. Foram vários são-paulinos chegando uniformizados e ocupando aquela que seria a única mesa atendida da noite — sim, eu disse que lá está sempre vazio.
  • Se você chegou até aqui, sugiro a leitura do texto que escrevi ontem sobre um outro São Paulo × Atlético-PR, na década passada. Não é o jogo que você está imaginando, mas, se quiser ler sobre ele, também tenho um texto.

Memórias de um São Paulo × Atlético-PR

Foto: Alexandre Giesbrecht

Hoje será o terceiro jogo entre São Paulo e Atlético Paranaense que presenciarei no estádio, todos no Morumbi. Infelizmente, não estive presente na decisão da Libertadores de 2005 e tenho um pequeno tabu nesse confronto: as duas partidas a que fui (2006 e 2013) terminaram empatadas por 1 a 1, com o São Paulo saindo na frente e sofrendo o empate. Mas uma delas valeu-nos um título. Não tenho um texto da época, pois nessa época meu antigo blog estava hibernando, meu fotolog tinha acabado de receber sua última foto e ainda faltava pouco menos de um ano para eu ter uma conta no Twitter, então vai de memória, mesmo. E, prometo, será um texto razoavelmente curto, pois daqui a 55 minutos tenho de sair, para chegar ao Morumbi a tempo para o jogo de hoje.

Bastava uma vitória são-paulina sobre o Atlético para garantir, com duas rodadas de antecipação, o título do Campeonato Brasileiro de 2006, então o Morumbi recebeu um grande público naquele domingo à tarde. Conseguir um ingresso não foi tão simples, já que a venda pela internet não estava disponível — e é nessas horas que eu vejo que a Total Acesso não é assim tão ruim —, mas garanti minha presença. Eu estava confiante, como todos ali. Até o Estadão estava (ou queria rogar praga), com sua manchete: “Hoje é dia de gritar ‘É tetra!’ no Morumbi”.

Foto: Alexandre Giesbrecht

Como já antecipei acima, o São Paulo saiu na frente, com um gol de Fabão, mas acabaria por sofrer o empate, a onze minutos do fim. Poderia ser um balde de água fria nos mais de 68 mil torcedores que encheram o templo brutalista do futebol brasileiro, mas, àquela altura, o Paraná Clube vencia o Internacional com um gol de pênalti de Leonardo, aos 4 minutos do segundo tempo. Esse resultado também nos dava o título. Ora, até se o Inter empatasse o jogo, veríamos uma volta olímpica no Morumbi!

Como a nossa partida acabou bem antes, o antigo placar eletrônico do Morumbi manteve o público atualizado com o que acontecia em Curitiba. Quer dizer, ele mantinha o placar do outro jogo e um número que indicava quantos minutos tinham passado no segundo tempo. A foto que abre este texto mostra um desses momentos, e o jogo do Inter ainda estava nos quarenta minutos, mas o do São Paulo já estava encerrado.

Foram momentos de apreensão, e os jogadores tricolores não arredaram pé do gramado, aguardando o apito final na capital paranaense. É claro que não havia mais ninguém que imaginasse que o título não seria ganho em poucos minutos. Se o público já tinha comemorado bastante quando o jogo acabara, a notícia da confirmação da derrota do Inter fez um grito ainda maior percorrer o Morumbi: estava quebrado um jejum de quinze anos sem vencer o Brasileiro e o São Paulo ganhava esse título em casa pela primeira vez.

Muitos seguranças foram espalhados próximo ao fosso, para impedir a invasão do gramado por torcedores. Essa missão foi cumprida, para desespero de muitos que queriam ver algo similar ao ocorrido na Libertadores de 1992 — nunca mais veremos essa cena… :( Não havia taça oficial para levantar, um erro crasso que a CBF não corrigiu até hoje, elevando um troféu que já tem dezenas de réplicas ao status de uma Copa Stanley.

Foto: Alexandre Giesbrecht

Mas o clube improvisou um troféu, que até era bem mais legal que o oficial. Um palco foi armado em tempo recorde, com direito até aos infernais papéis picados sendo disparados para o ar, uma “tradição” que ninguém se preocupa em esquecer desde a final da Copa do Mundo de 2002. Mas, com o título na mão, eu é que não iria ficar me preocupando com isso.

A comemoração não ficou restrita ao palco. O atacante Leandro Guerreiro subiu sobre a trave do gol do fundo e “regeu” a torcida. Essa comemoração acabou virando uma espécie de marca registrada sua e seria repetida no ano seguinte, quando o Tricolor também ganhou o Brasileiro em casa. Mais ainda: ela foi a inspiração para a capa do DVD Tetra, retratando a conquista.

Foto: Alexandre Giesbrecht

A ausência do troféu também não impediu a volta olímpica. O técnico Muricy Ramalho também participou dela e parou, quase à minha frente, para mandar beijos a alguém que aparentemente estava no anel intermediário. Fotografei a cena (abaixo) e, mais tarde, usei uma versão recortada dela como uma das fotos que até hoje ilustram o verbete de Muricy na Wikipédia.

Foto: Alexandre Giesbrecht

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